Na cama, olhando em frente, mas mirando o nada, repousa a cabeça sobre o ombro largo e curiosamente tatuado com a equação mais elegante da matemática. À direita, o espelho do guarda roupa reflete os dois corpos nus sob o lençol cinza bagunçado, que testemunha o silêncio incômodo.
À esquerda, ao lado da porta do banheiro, a janela, que aberta, entrega que já é noite e a faz pensar no pouco tempo que dispõe para dizer o que tanto ensaiou. Nesse instante, deixa (?) cair uma lágrima, que se camufla pela meia luz do ambiente.
Logo abaixo da janela, a escrivaninha, onde repousa sobre ela, uma garrafa d’água e o computador que toca uma música, forró das antigas.
No seu peito, a sensação de aperto escancara uma certeza, que ecoa insistentemente em sua cabeça: “sabia que não ia dar certo”.

